Nos dias em que a chuva insiste sobre Portugal, nem sempre é fácil sair à rua ou manter tudo seco. Mas mesmo na correria e no desconforto, cada pingo guarda poesia.
Chuva
Chove como sempre. E,
sempre que chove,
as pessoas abrigam‑se
(as que não estavam à espera que chovesse);
ou abrem, simplesmente,
o chapéu‑de‑chuva — de preferência com fecho automático.
Porque, quando chove, todos temos de
fazer alguma coisa: até nós, que estamos dentro de casa.
Vão, uns, até à janela, comentando:
"Que Inverno!"; sentam‑se, outros, com um papel
à frente: e escrevem um poema, como este..
Chove como sempre. E,
sempre que chove,
as pessoas abrigam‑se
(as que não estavam à espera que chovesse);
ou abrem, simplesmente,
o chapéu‑de‑chuva — de preferência com fecho automático.
Porque, quando chove, todos temos de
fazer alguma coisa: até nós, que estamos dentro de casa.
Vão, uns, até à janela, comentando:
"Que Inverno!"; sentam‑se, outros, com um papel
à frente: e escrevem um poema, como este..
Nuno Júdice
Chove. Há silêncio.
Chove. Há silêncio.
A chuva cai como se existisse
Uma força que a fizesse cair.
Chove. Há silêncio.
O meu coração está quieto,
Como o mundo está quieto.
Nada me dói.
Nada me pesa.
Nada me prende.
Chove. Há silêncio.
Tudo é como é.
E eu sou como sou.
A chuva cai como se existisse
Uma força que a fizesse cair.
Chove. Há silêncio.
O meu coração está quieto,
Como o mundo está quieto.
Nada me dói.
Nada me pesa.
Nada me prende.
Chove. Há silêncio.
Tudo é como é.
E eu sou como sou.
Fernando Pessoa
Chuva
Chove uma grossa chuva inesperada,
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.
Chove, grossa e constante,
Uma paz que há de ser.
Uma gota invisível e distante
Na janela, a escorrer…
Chove uma grossa chuva inesperada,
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.
Chove, grossa e constante,
Uma paz que há de ser.
Uma gota invisível e distante
Na janela, a escorrer…
Miguel Torga
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